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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Antonio Gilberto: cientista da NASA?


Cientista da NASA? Muito mais que isso! Um servo do Deus Altíssimo! Um enviado de Deus cujo nome é Antonio Gilberto da Silva. Um mestre que o Senhor Jesus levantou no Brasil e no mundo para ser um referencial, um paradigma, para os mestres e pregadores pentecostais. Um ícone das Assembleias de Deus. Alguém que, a despeito de seu vasto cabedal, é um homem humilde que há décadas tem tido compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra.

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Conselhos aos youtubers evangélicos


Como tem aumentado o número de youtubers evangélicos, especialmente na área do humor — alguns deles, inclusive, foram entrevistados, recentemente, por Pedro Bial, da Rede Globo (foto) —, resolvi republicar aqui uma entrevista que concedi à revista Geração JC (ano XIII, número 106; CPAD, 2015) a respeito dos limites do humor cristão.

GJC: O senhor é um apologista que já usou bastante do humor em algumas de suas obras e artigos, hoje até bem menos. Atualmente, talvez por influência da nova geração de humoristas no Brasil, que usam muito vídeos na internet como trampolim, muitos jovens evangélicos estão se dedicando ao humor na internet, chamando a atenção até dos não evangélicos. Muitos destes jovens começam bem, com um humor sadio, mas acabam depois decepcionando, partindo para um humor mais escrachado, mundano. Até a GeraçãoJC já passou por essa experiência, de divulgar jovens que usam canais do YouTube para fazer humor e evangelismo, e depois se decepcionar com alguns casos. Por que muitos desses jovens acabam tomando esse caminho?
CSZ: A palavra grega apología aparece pela primeira vez, no Novo Testamento, em Atos 22.1, em alusão à autodefesa de Paulo perante seus acusadores. Esse apóstolo — que foi um grande apologista, isto é, um defensor do Evangelho (Fp 1.16) — valeu-se muito da comicidade em suas cartas. Em 2Coríntios 11.5, por exemplo, ele ironiza os falsos pregadores chamando-os de “excelentes apóstolos”. Mas Paulo usava o humor apenas como um meio de pregar e defender o Evangelho, e não como um fim. Ou seja, ele não era um humorista cristão! O problema do chamado humor evangélico é que o seu objetivo, claramente, é a autopromoção. Muitos jovens estão fazendo vídeos de humor, prioritariamente, para serem vistos, e não para glorificarem a Deus. E aí está o grande desvio do alvo, visto que a Palavra de Deus ensina: “fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

GJC:
Quais os limites para o humor cristão? O que a Bíblia fala sobre isso?
CSZ: A Bíblia é um Livro de princípios. Um deles já foi citado: tudo o que fazemos deve glorificar a Deus. Outro, muito importante, é: “Abstende-vos de toda aparência do mal” (1Ts 5.22:). A Palavra de Deus também afirma que todas as coisas são lícitas, mas algumas são inconvenientes, dominadoras e não edificantes (1Co 6.12 e 10.23). Caso um jovem me pergunte: “Posso fazer um vídeo de humor para satirizar o culto pentecostal?”, minha resposta será: “Pode”. E, em seguida, lhe farei outra indagação: “Como servo de Deus, você deve fazer tal vídeo?” Embora não haja proibição expressa na Bíblia ao humor, quando o empregamos devemos perguntar a nós mesmos: Isso glorifica a Deus, convém aos cristãos e os edifica? #FicaADica (risos).

GJC:
Que orientações o senhor dá ao jovem para que ele perceba pessoalmente que está passando dos limites nessa área?
CSZ: Os princípios da Palavra de Deus citados nos conduzem a uma reflexão sobre o que podemos e o que devemos fazer. Isso também se aplica aos pregadores que se valem da comicidade. Ao escrever aos crentes de Corinto, o apologista Paulo afirmou: “nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. [...] A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espirito e de poder” (1Co 2.2-4). Em outras palavras, o legítimo pregador do Evangelho não deve aparecer mais que Jesus Cristo. Seu alvo é apresentar o Evangelho. Quando alguém prioriza o humorismo e o utiliza como o fim, e não como um meio, quem fica em evidência? A Pessoa central do Evangelho, ou o humorista?

GJC:
O YouTube está cheio de vídeos que tentam evangelizar através de sátiras. Até que ponto isto é uma estratégia de evangelismo? E esta forma de evangelização, contribui para o Reino de Deus?
CSZ: Como eu já disse, à luz da Bíblia, os meios de evangelização devem ser usados para atingir o fim: apresentar Cristo ao mundo. Nesse caso, “evangelizar através de sátiras” seria um meio de evangelização ou um fim em si mesmo? De que maneira vídeos que satirizam a fé cristã ou o culto evangélico de modo ultrajante estão aproximando os pecadores de Jesus Cristo? Quando há bom senso, pregar o Evangelho usando o humorismo pode ser um meio válido. Mas valer-se da comicidade para autopromoção na Internet, tendo a evangelização como álibi, é um grande engano. #PenseNisso.

GJC:
Como a igreja pode orientar os jovens que estão dentro deste perfil?
CSZ: Nunca houve tanta necessidade de as igrejas promoverem eventos para orientar a juventude cristã, uma vez que o mundo tem mudado rapidamente, e as novidades não param de surgir. Alguns líderes evangélicos já têm investido na instrução dos jovens e adolescentes, mas há muitos que ainda não perceberam o quanto isso é importante. O ideal é que os pastores de grandes igrejas — os líderes de líderes — sigam o exemplo de Paulo, que reunia os presbíteros para transmitir-lhes orientações, recomendando que eles as retransmitissem a seus liderados (At 20.17 e 2Tm 2.2). Algumas igrejas têm a figura do pastor ou líder geral de jovens, o qual, além de promover eventos para a juventude, reúne-se regularmente com os líderes juvenis das congregações a fim de lhes transmitir orientações. Ademais, nesses tempos cibernéticos, se os pastores querem atingir um maior número de jovens com a instrução necessária, devem também usar as ferramentas da Internet: vídeos, blogs, redes sociais etc.

GJC:
Finalmente, como pastor e aconselhador de jovens, que conselho o senhor dá aos jovens para que eles saibam selecionar o tipo de conteúdo que assistem na internet?
CSZ: Meu conselho final se baseia em Filipenses 4.8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Todo jovem cristão pode usar a grande rede de modo passivo, assistindo a vídeos, ouvindo podcasts, lendo textos etc., bem como ativamente, propagando o que pensa por meio de aplicativos e sites como YouTube, SoundCloud, Facebook, Twitter, Google+, Instagram, Blogger etc. Em outras palavras, ele pode fazer tudo o que pensa na Internet, desde que pense somente no que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e louvável. #ProntoFalei.

Ciro Sanches Zibordi

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sete conselhos para as pregadoras


Já tenho escrito, de modo geral, sobre o ministério feminino, no portal CPAD News (ZIBORDI, 2015) e também em meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007). Neste texto, tendo em vista o crescimento do número de pregadoras, nos últimos anos (e com ele o surgimento de alguns perceptíveis desvios da sã doutrina), apresento-lhes, sem nenhuma presunção, estes sete conselhos. A rigor, são os mesmos que tenho apresentado aos pregadores, desde 2005 — quando a CPAD publicou Erros que os Pregadores Devem Evitar, primeiro de uma série para pregadores —, mas com alguns destaques específicos alusivos ao que tenho presenciado em ministrações femininas, in loco, e também assistindo a vídeos na Internet. Vamos aos conselhos.

1. Sejam femininas, e não imitadoras de homens. Gosto de ouvir pregadoras. Mas é desagradável ver mulheres abrindo mão de sua feminilidade para imitar os pregadores performáticos. Pense na situação inversa: um homem imitando uma mulher. Isto não causa estranheza? Há alguns anos, quando uma pregadora atualmente ex-ex-lésbica (isto mesmo: ex-ex-lésbica) fazia sucesso na Assembleia de Deus, me presentearam com uma de suas mensagens em VHS. Que decepção! Postura masculinizada, voz de machão, trejeitos e bordões de animadores de auditório etc. As mulheres deveriam falar como mulheres, pois têm um modo especial de comunicar as verdades de Deus. Por isso, no âmbito familiar, Deus deseja que pai e mãe participem da educação dos filhos: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes a doutrina da tua mãe” (Pv 1.8). Ou seja, a sã doutrina é a mesma, porém a maneira de comunicá-la, por parte de homem e mulher, é diferente.

2. Preguem a Palavra de Deus. Repito: os conselhos que eu tenho dado aos pregadores são extensivos às pregadoras. Se Paulo disse a Timóteo: “Prega a palavra” (2 Tm 4.2, ARA), isso vale para todas e todos que desejam pregar o Evangelho. O apóstolo não disse: “Anime auditório”, “Pregue o feminismo” ou “Desafie seus desafetos em público”. Mas, na atualidade, para tristeza do Espírito Santo, muitos pregadores — e pregadoras — embarcaram na canoa furada da pregação performática, ofensiva e desafiadora. Berram ao microfone. Ofendem seus pares, ainda que de modo indireto. Valem-se de bordões. Movimentam-se, coreograficamente, como se estivessem liberando algum tipo de raio destruidor etc.

Parem com isso, por favor! Honrem a chamada que receberam do Senhor. Muitos dizem que cada um tem o seu estilo. Quer saber qual é o estilo de pregação que agrada a Deus? Leia 1 Coríntios 2.1-5, em oração. O que vemos quando olhamos para o pregador Paulo, um imitador de Cristo? Um showman? Um pregador malabarista? Um coreógrado de púlpito? Não! Aprendemos com ele que não é preciso animar auditório nem chamar todos os holofotes para si. Preguemos, pois, a Palavra de Deus! Com graça e ousadia, como fez Estêvão diante daqueles que o acusavam. Ele foi apedrejado, é verdade; taparam os ouvidos, também é verdade. No entanto, quando Estêvão, cheio do Espírito, olhou para o céu, viu Jesus em pé, em sinal de aprovação, à direita de Deus (At 7).

3. Sejam um exemplo em tudo. Como arautos de Cristo, não pregamos apenas com o microfone à mão, pois devemos pregar o que vivemos e viver o que pregamos. Algumas irmãs, infelizmente, parecem ter a “unção do microfone”, já que fora do púlpito têm uma conduta completamente diferente da que ostentam nas igrejas. Não existem supercrentes, mas, com exceção de alguns recursos de oratória que usamos durante a pregação, nossa vida nos bastidores não deve ser muito diferente da que ostentamos no púlpito. Observe o que o apóstolo Paulo disse aos presbíteros de Éfeso: “Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós” (At 20.18).

Cuidado com o porte, amada irmã! Este abarca conduta e postura, o que você de fato é e o que aparenta ser. Se você aparenta ser santa no púlpito, por que não ser santa nas redes sociais e no trato com as pessoas? Lembre-se de que a pregação neotestamentária não consiste apenas em palavras. Ela abarca três termos gregos que aparecem em 1 Tessalonicenses 1.5, uma das passagens que definem a pregação, no Novo Testamento: logos, pathos e ethos. Em outras palavras, abrange a pregação propriamente dita (logos), a forma como a mensagem é apresentada, com unção do Espírito Santo e uso de recursos homiléticos (pathos) e porte: conduta e postura éticas (ethos).

4. Não busquem títulos e posições. Pregadora é pregadora. Pregador é pregador. Não precisam de um título pomposo para pregar o Evangelho, a menos que queiram prevalecer pelo “braço de carne”, e não pelo Espírito Santo (cf. 2 Cr 32.8; Zc 4.6). Filipe era pregador do Evangelho, apesar de ter sido escolhido para cuidar do trabalho material da igreja em Jerusalém (At 6.1-5; cap. 8). Só no fim da terceira viagem missionária de Paulo, em Cesareia, Filipe foi chamado de evangelista (21.8). Mas, antes de receber esse título, ele já pregava, pois não é o título que faz a pessoa; é a pessoa quem faz o título.

Sinceramente, fico preocupado quando vejo pregadoras procurando ostentar títulos para terem maior credibilidade. Ao que me parece, elas não acreditam que Deus está com elas, caso não tenham um título pomposo. Precisam ostentar o título de “bispa”, uma invencionice, já que, a rigor, além de esse ofício não constar das páginas sagradas, o feminino de bispo seria episcopisa; ou o título de “pastora”, outra extravagância, uma vez que a única mulher chamada de pastora — de ovelhas — na Bíblia foi Raquel (Gn 29.9). Não nos esqueçamos de que Paulo, constituído por Deus pregador, apóstolo e doutor dos gentios (1 Tm 2.7), fazia questão de se apresentar, prioritariamente, como “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1), a quem servia em seu espírito (v. 9).

5. Sejam humildes. Paulo honrou várias mulheres, mencionando-as em Romanos 16 — como Priscila, citada primeiro que seu próprio marido (v. 3) —, porque elas certamente eram humildes. Priscila, inclusive, foi quem contribuiu para o aprendizado de Apolo, um homem que já era “poderoso nas Escrituras” (At 18.24-28). Ainda que o Senhor é excelso, atenta para quem é humilde (Sl 138.6; 1 Pe 5.5,6), mas é triste ver pregadoras agindo com soberba no púlpito e dizendo frases impróprias, como: “Se eu, sem ter uma gravata, faço o que faço, imagine o que eu faria se tivesse uma”; “Mesmo com os homens atrapalhando, eu continuo vencendo” ou “Como os homens são frouxos, Deus tem levantado as mulheres, que são corajosas”. Lembremo-nos, sempre, de que a “soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.18).

6. Respeitem os pastores. Há uma tendência, pelo que tenho notado, de as pregadoras famosas serem tentadas a verberar contra os pastores, sugerindo que eles as invejam, se opõem ao seu ministério e são machistas etc. Essa rebeldia, que tem levado muitas irmãs a promover a inglória guerra de gêneros, a nada leva. Já pensou o que aconteceria, se os pastores resolvessem responder a cada provocação feminista? Onde isso vai parar? Homens e mulheres devem ser submissos a Deus e ao ministério estabelecido pelo Senhor (1 Co 12.28; Ef 4.11). Qualquer crente deve obedecer ao claríssimo mandamento de Hebreus 13.17: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas”.

7. Sejam femininas, e não feministas. Muitas pregadoras não abrem mão da feminilidade (o que é bom, como já vimos), mas têm um outro defeito: adotam um discurso bastante hostil em relação aos homens. Apesar de elas estarem pregando em grandes congressos e sendo tratadas com todo o respeito, inclusive pelos homens, elas agem como se estivessem sendo oprimidas pelo patriarcado! Sempre quando têm oportunidade, numa entrevista ou mesmo durante suas prédicas, dizem que nas igrejas ainda prevalece o machismo. Alegam que isso é herança do judaísmo, da conduta machista de Paulo etc. E verberam contra os homens, pregando o questionável igualitarismo feminista, que, embora esteja na moda, não se coaduna com o ensinamento neotestamentário.

Em relação ao Antigo Testamento, quem deu a lei a Moisés? O próprio Deus! Não há que se falar de patriarcado opressor. Isso é linguagem de movimentos feministas de esquerda, e não de servas do Senhor que se prezam! Se defendermos que havia machismo na lei dada a Moisés, chegaremos à conclusão de que o próprio Deus era machista! Quanto a Paulo, nenhum machista mandaria os homens amar a sua própria mulher (Ef 5.25) nem faria questão de mencionar nominalmente as mulheres que o ajudaram (Rm 16 etc.). Em relação a Jesus — já que para as “feministas cristãs”, Ele não valorizou mais as mulheres por causa da prevalência do machismo na sociedade patriarcal —, sabemos que o Mestre veio para quebrar paradigmas. E, se quisesse, teria escolhido seis casais, e não doze homens, visto que “chamou para si os que ele quis” (Mc 3.13).

Infelizmente, algumas pregadoras já foram cooptadas pelo pernicioso movimento feminista, que, em geral, é abortista, se opõe à cosmovisão judaico-cristã e às Escrituras, além de demonizar o homem (SCRUTON, 2014; ZIBORDI, 2016). Sei que há vários tipos de feminismo, alguns mais extremistas e outros mais moderados. Reconheço os direitos femininos pelos quais homens e mulheres cristãos devem lutar. Mas o discurso belicoso, oriundo do feminismo anticristão, que produz frases como “Mexeu com uma, mexeu com todas”; “Machistas não passarão” etc., não deve ser adotado pelas pregadoras que se prezam. Machismo e feminismo devem ser rechaçados por todos os cristãos, indistintamente, pois são filosofias contrárias à Palavra de Deus. Preguemos, pois, o Evangelho, e não ideologias polarizantes (Rm 1.1,16; 1 Co 9.16).

Ciro Sanches Zibordi

Referências


SCRUTON, Roger. Como Ser um Conservador. Rio de Janeiro: Record, 2014.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Por que as mulheres não podem ser pastoras? CPAD News. 24 mar. 2015. Disponível em: http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/134/por-que-mulheres-nao-podem-ser-pastoras.html. Acesso em: 8 mai. 2017.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Existe mesmo a cultura do estupro? Blog do Ciro. 2 jun. 2016. Disponível em: https://cirozibordi.blogspot.com.br/2016/06/o-feminismo-e-suposta-cultura-do-estupro.html. Acesso em: 8 mai. 2017.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Em defesa da Assembleia de Deus


Sou pastor da Assembleia de Deus, mas estou longe de ser assembleiólatra. Jamais ignorei os problemas ligados à minha denominação e, há algum tempo, por exemplo, posicionei-me contra o envolvimento da liderança de uma das importantes convenções assembleianas com o saudoso (ops!) "reverendo" Moon. Outra prova de que não me apego de modo idolátrico à denominação à qual pertenço é o fato de reconhecer o lado bom de outras igrejas, como fiz, há pouco tempo, ao elogiar a Igreja Presbiteriana do Brasil por sua posição contrária às "seitas neopentecostais".

Entretanto, não é pelo fato de eu ser cristão, pentecostal e assembleiano que não apoio a conduta dos evangélicos (evangélicos?) antipentecostais e antiassembleianos. Não concordo com eles porque, em João 7.24, o Senhor Jesus asseverou: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça". E muitos oponentes da denominação pentecostal Assembleia de Deus estão sendo injustos em sua criticidade extremada.

Julgar segundo a reta justiça não é: generalizar, tomando a parte pelo todo; julgar sem conhecer a estrutura de uma denominação; confundir fatos com boatos, principalmente quando se trata de denúncias ligadas a candidatos A e B; basear-se em factoides para acusar denominações de envolvimento com sociedades secretas; ignorar a história; não reconhecer o lado bom de uma instituição, principalmente quando este é muito superior a fatos negativos isolados.

Vejo na Internet blogs e vídeos no YouTube antiassembleianos, bem como recebo e-mails contendo acusações à Assembleia de Deus, de modo genérico. Mas pergunto: A culpada pelos despropósitos mencionados pelos acusadores é a denominação histórica em apreço, ou os pretensos pastores que não fazem jus ao título ministerial que receberam, visto que apresentam condutas e posturas antiassembleianas e até anticristãs?

Ora, Assembleia de Deus é uma denominação que tem sofrido na mão de muitos enganadores, assim como
Igreja Batista, Igreja Presbiteriana etc. Um dia desses, por exemplo, eu deparei com uma igreja exótica chamada Igreja Batista Ministério Deus É Pentecostal. Seria justo que eu verberasse contra a Igreja Batista, de modo geral, por causa do que vi? Claro que não! Além de generalizar, eu estaria mostrando que desconheço o fato de essa histórica denominação ter se dividido e se subdividido, ao longo dos anos.

Há várias igrejas locais espalhadas pelo mundo que não fazem jus ao perfil de suas denominações históricas. E, assim como a Igreja Batista, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Quadrangular etc. devem ser respeitadas como denominações históricas, a Assembleia de Deus, que está às vésperas de completar 105 anos, também merece todo o respeito. Por isso, faz-se necessário priorizar-se, nas críticas, somente a parte envolvida, e não o todo.

Quem conhece a complexa estrutura da Assembleia de Deus, em sua totalidade, sabe, por exemplo, que as suas duas maiores convenções nacionais, a CGADB e a CONAMAD, são instituições com lideranças e projetos distintos, a despeito de ostentarem a mesma denominação. Outro exemplo: a maioria dos Estados brasileiros possui pelo menos uma convenção de ministros local ligada à CGADB, e cada uma dessas convenções estaduais são, em certo sentido, independentes, assim como os ministérios associados a elas. Como responsabilizar a instituição Assembleia de Deus, de modo geral, por causa de acontecimentos isolados?


Em suma, o que desejo dizer é que a Igreja Evangélica Assembleia de Deus é muito maior que pastores (ou grupos de pastores) que têm se desviado da verdade por amor ao dinheiro (2 Pe 2.1-3; 2 Co 2.17) e outros interesses. Ela é muito maior que disputas políticas e desavenças pessoais. 
Por isso, não considero justo denegrir denominações históricas, reconhecidamente compromissadas com o Evangelho, por causa de acontecimentos isolados recentes.

Se a criticidade generalizante fosse justa perante Deus, nenhuma denominação histórica escaparia. Todas elas, sem exceção, em algum momento, tiveram em suas fileiras pessoas mal-intencionadas que promoveram escândalos. Penso que a crítica relevante e proveitosa é feita segundo a reta justiça, levando-se em consideração todas as exceções possíveis.


Por graça de Deus, viajo bastante para ministrar a Palavra do Senhor e tenho conhecido a Assembleia de Deus de modo abrangente, em todo o Brasil e fora dele. E posso afirmar, de modo peremptório, que essa denominação tem em suas fileiras valorosos homens de Deus em todas as convenções (como as já citadas CGADB e CONAMAD) e ministérios. 
Sou até capaz de citar de memória, nomes de alguns referenciais da Assembleia de Deus, mas não farei isso para não correr o risco de não mencionar eminentes pastores que fazem parte dessa igreja centenária.

De um assembleiano que ama a Assembleia de Deus, mas adora o Deus da Assembleia,

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Aos crentes que não gostam de hierarquia nas igrejas


Aumenta a cada dia o número de crentes que não se sujeitam aos líderes e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus. “Igreja não é quartel general”, argumentam. E, generalizando, chamam qualquer liderança firme, segura, de coronelista.

Entretanto, vemos na Bíblia que o próprio Deus prioriza e hierarquiza. Ele — que podia ter feito todas as coisas com uma única palavra — fez questão de formar tudo a seu tempo, dia a dia (Gn 1). O Senhor também agrupou de modo ordenado as tribos de Israel (Nm 2), já que é um Deus de ordem (1 Co 14.40). E, por isso, de acordo com 1 Coríntios 12.28, Ele mesmo faz uma hierarquização dos dons e ministérios.

Por que Deus hierarquiza dons e ministérios? Ele faz isso, não para que um portador de certo dom e ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja ordem na casa do Senhor. Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co 12.28; Ef 4.11). Mas existem apóstolos hoje? Sim! Como também há pseudoapóstolos, que propagam muitas “apostolices”. Quem são os apóstolos do Senhor, então? São homens de Deus, enviados por Ele, com grande autoridade, e não autoritarismo. Eles formam a liderança maior da igreja, independentemente dos títulos empregados pelas denominações (pastores-presidentes, bispos, reverendos, pastores, presbíteros etc.).

É importante não confundir títulos com ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os títulos são dados pelos homens. Na Assembleia de Deus, por exemplo, não existe o título de apóstolo, mas isso não significa que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia, perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

O texto de 1 Coríntios 12.28 afirma, ainda, que Deus pôs na igreja “em segundo lugar, profetas”, mencionados — na mesma posição, depois dos apóstolos — em Efésios 4.11. Não confunda esses profetas com os crentes que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1 Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus, portadores de mensagens proféticas.

Em 1 Coríntios 12.28, a Palavra do Senhor também assevera: “em terceiro, doutores”. Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da Palavra de Deus.

Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) se intercambiam ou se inter-relacionam (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios 12.28, já que são títulos relacionados com a liderança maior da igreja.

Ainda em 1 Coríntios 12.28, está escrito: “depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos, profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus, o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17). Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo 10.41).

Se não houver essa hierarquização (dada por Deus) nas igrejas, para que servirão os cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada pelo Espírito Santo, poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo em Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu o obreiro frouxo daquela igreja, que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor (Ap 2.20). Vemos em 1 Coríntios 14.26-40 que, no culto coletivo, deve haver ordem e decência. Deus é Deus de ordem!

O princípio divino da prioridade aparece em várias outras passagens neotestamentárias. Quanto à ressurreição, está escrito: “cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, no Arrebatamento, tal princípio também será aplicado: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1 Ts 4.17).

Deus também prioriza o espírito, na santificação. Muitos pregadores têm dito: “Deus nos quer por inteiro: corpo, alma e espírito”. Mas a Bíblia afirma: “e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5.23). Essa ordem mostra que a obra santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.

Finalmente, o apóstolo Paulo parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja havia ordem (Cl 2.5). E ordem, aqui, também significa respeitar a hierarquia! Afinal, os ministérios não são invenção humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-15). Obedeçamos, pois, aos nossos pastores (Hb 13.7,17).

Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Por que Trump visitou Israel?


Neste mês, Donald Trump tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar o Muro das Lamentações, o que fez da sua passagem por Israel um evento histórico. Sua visita à Terra Santa, aliás, não aconteceu por acaso. Ele aproveitou o mês de maio, muito significativo para o Estado de Israel, para solidificar a bem-sucedida parceria israelo-estadunidense, praticamente ignorada por seu antecessor, Barack Obama, que preferiu agradar os inimigos históricos de Israel.

Por que a visita de Trump à Terra Santa ocorreu no mês de maio. Grandes acontecimentos se deram em Israel, nesse mês, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a começar pela derrota da Alemanha nazista, em 8 de maio de 1945. Depois da vitória dos Aliados, Israel finalmente pôde se estruturar para, em poucos anos, ter o seu Estado proclamado. E isso aconteceu em 14 de maio de 1948, quando terminou o Mandato Britânico.

O domínio da Grã-Bretanha sobre Israel perdurou por trinta anos (1918-1948). À época, a população judaica na Terra de Israel era de 650 mil pessoas e já formava uma comunidade organizada, com instituições políticas, sociais e econômicas bem desenvolvidas. Israel já era uma nação em todos os sentidos, faltando apenas a oficialização do Estado. Naquele mesmo dia foi proclamado o Estado de Israel, de acordo com o plano de partilha da ONU (Organização das Nações Unidas) de 1947.

Apenas onze minutos após essa proclamação, o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, reconheceu a legitimidade do Estado de Israel, o que marcou o início de uma profunda amizade e respeito mútuo, baseados em valores democráticos comuns, decorrentes de sistemas políticos e jurídicos firmemente apoiados nas tradições liberais. O relacionamento entre eles é tão bom que, às vezes, eles “concordam em discordar”. Em um único dia, 14 de maio de 1948, Israel se tornou independente da Grã-Bretanha, teve o seu Estado proclamado e firmou uma amizade com a maior potência mundial.

No dia seguinte, surgiram enormes dificuldades. Aliás, menos de 24 horas após a proclamação do Estado de Israel, os exércitos regulares de Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque já tinham invadido o novo país, forçando Israel a defender a soberania que acabara de conquistar. Essa, que ficou conhecida como a Guerra da Independência, foi vencida por Israel, após quinze meses de batalha, entre maio de 1948 e julho de 1949. Ela ceifou a vida de seis mil israelenses (quase 1% da população). Ainda durante esse período, os israelenses obtiveram uma grande vitória no âmbito político: em 11 de maio de 1949, o Estado de Israel se tornou o 59º membro das Nações Unidas.

Em 1960, um dos principais organizadores do programa de extermínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Adolfo Eichmann, foi levado para Israel a fim de ser julgado segundo a legislação israelense de punição aos nazistas e seus colaboradores, criada em 1950. Eichmann, considerado culpado de crimes contra a humanidade e o povo judeu, foi condenado à morte e enforcado em 30 de maio de 1962. Essa foi a única vez em que a pena de morte foi aplicada sob a lei israelense.

Cinco anos mais tarde ocorreu a Guerra dos Seis Dias. Em maio (novamente em maio) de 1967, o Egito novamente deslocou um grande número de tropas para o deserto do Sinai, ordenando que as forças de manutenção de paz da ONU se retirassem da Palestina. Israel, então, invocando seu direito inerente de autodefesa, obteve grande vitória, após seis dias de combate.

Em maio de 1994, com o objetivo de por termo ao conflito israelo-palestino e, pelo menos, minimizar o conflito árabe-israelense, Israel e a então OLP (Organização para Libertação da Palestina) deram um importante passo. Israelenses e palestinos, que tinham assinado em Washigton D.C., nos Estados Unidos, uma Declaração de Princípios, começaram a conversar, visando ao estabelecimento de um autogoverno na Faixa de Gaza e na área de Jericó. A última etapa das negociações entre eles se iniciaram, de acordo com o que estava previsto, em maio de 1996. Nesses mesmos mês e ano, Israel abriu escritórios de representação comercial em Oman e no Qatar.

Durante os oito anos de obamismo, houve poucos avanços no fortalecimento da relação israelo-estadunidense, que beneficia a ambos os países. Por quê? Porque o cristão (cristão?) Barack Obama ignorou-a, preferindo cumprir a agenda progressista, contrária à cosmovisão judaico-cristã, das Organizações Unidas e da União Europeia. Estas, como todos sabem, têm desprezado israelenses e cristãos, e isto é uma das razões pelas quais o terrorismo tem crescido em todo o mundo.

Quanto a Trump, trata-se de um presidente inteligente e temente a Deus. Ele tem sido perseguido pela grande mídia esquerdista porque, na medida do possível, tem se mostrado um líder conservador, inimigo do terrorismo islâmico e da imigração ilegal. Ao mesmo tempo, ele busca pacificar o mundo, como tem demonstrado em sua primeira viagem ao estrangeiro.

O ódio de muitos jornalistas progressistas, evangelicofóbicos, contra Trump, ademais, é grande porque ele tem dado um basta ao preconceito contra com o evangelicalismo em todo o país. Ora, os Estados Unidos são cristãos em sua origem! Mas, como mostra muito bem o filme God's not Dead 2 (por trás do qual estão muitos apologistas, como Rice Broocks e Gary Habermas), as autoridades estadunidenses, estimuladas pela política de Obama (que evitava dizer um simples Merry Christmas), vinham intensificando as perseguições contra os pastores.

Finalmente, aproveito este mês de maio para parabenizar, mais uma vez, a todo o povo israelense pelo aniversário de 69 anos de proclamação do Estado de Israel. E finalizo este texto citando um trecho veterotestamentário das Escrituras Sagradas: “Rogai ao Eterno pela paz em Jerusalém! Prosperem os que te amam, ó Jerusalém! Haja paz em teus baluartes e segurança em teus palácios. Por amor a meus irmãos e companheiros, rogarei por Tua paz. Por amor à Casa do Eterno, nosso Deus, buscarei sempre o Teu bem” (Bíblia Hebraica, Editora Sêfer, Salmo 122).

Ciro Sanches Zibordi

sábado, 6 de maio de 2017

Formigas versus águias


A vergonhosa e inglória disputa entre fãs de pregadores famosos continua na grande rede, depois que um conhecido animador de auditório, em um grande congresso, resolveu expor, de cima do púlpito, uma célebre pregadora performática, comparando-a, indiretamente, a uma formiga. Esta errou, evidentemente, ao usar o mesmo púlpito, antes, não prioritariamente para pregar a Palavra, e sim para desafiar seus pares. Mas seu fã-clube foi mais além e transformou a presente discussão em guerra de gêneros, no melhor estilo mundano e feminista.

Como o pregador, demonstrando estar indignado com o que ouvira, disse que a pregadora jamais seria águia, pois é tanajura, suas fãs, inclusive algumas "pastoras", criaram a hashtag #SomosTodosFormigas. E, inflamando-se em seus discursos feministas, estão empregando frases desafiadoras, muito usadas nestes tempos de polarização política, como: "Mexeu com uma, mexeu com todas". E mais: passaram a verberar contra os homens, de maneira geral. Pura carnalidade.

Há alguns anos, um famoso pregador — idolatrado por muitos — me xingou de canalha de cima do púlpito, ao som de "glórias a Deus" e "aleluias". E, como se isso não bastasse, ele ainda deu a entender que gostaria muito de ter um encontro nada amistoso comigo, "numa hora dessas, no aeroporto", a fim de me dizer "algumas verdades, para eu me converter e não ir para o inferno".

Enquanto o ofensor, cheio de ira, gritava, me xingava e, tacitamente, me ameaçava, muitos irmãos, inclusive pastores, além de usar palavras de glorificação, diziam: "Fala mesmo, Jeová" ou "Queima ele". Era como se eu fosse um emissário do mal, um opositor do "mover de Deus", que precisasse ser "barrado". Mas, sabe quais eram os motivos da revolta de todos? Meus livros, especialmente: Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (CPAD, 2006) e Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007), os quais contém críticas à pregação performática, que ainda sobrevive, para tristeza do Espírito Santo!

Passado pouco tempo — veja como Deus trabalha por aqueles que nEle esperam; não é necessário se vingar —, estava eu no mesmo púlpito de onde os tais impropérios haviam partido! A expectativa ali era grande, não porque sou importante, e sim porque alguns queriam "ver o circo pegando fogo". Soube, depois, através de alguns irmãos, que houve até uma certa decepção, pois se esperava que eu usasse parte do tempo para me defender dos mencionados ataques e alfinetar quem me desafiara.

De fato, eu tinha a oportunidade de me vingar e verberar contra quem me atacou. E sabia que tudo iria parar na Internet! Mas meu coração estava em paz. Que noite memorável! Eu apenas preguei a Palavra de Deus! Quem saiu vitorioso? Eu? Não! O pregador que me xingou de canalha e seu hostil fã-clube? Também não! Quem venceu? O Cordeiro de Deus! Ele foi glorificado. Sua Palavra — e somente sua Palavra — foi pregada naquela noite!

Não sou melhor do que ninguém. Aliás, enquanto uns dizem que são águias, e outras afirmam que são formigas, me lembro sempre do que está escrito em Isaías 41.24: "Eis que sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada". Ora, se nada já é nada, quanto seria menos do que nada? É o que somos quando pensamos que somos alguma coisa!

Entretanto, louvo ao Senhor Jesus pela formação ministerial que recebi. Tive a honra de aprender, desde a minha adolescência, aos pés de grandes mestres, imitadores de Cristo, como Valdir Bícego e Antonio Gilberto. Com eles aprendi — e tenho aprendido — que púlpito é lugar de pregar o Evangelho e ensinar a Palavra.

Quem foi o pregador mais antipático que andou na terra? Possivelmente, João Batista, que verberava sem medo contra o que estava errado, mas sua prioridade era falar do Cordeiro de Deus, e não de si mesmo ou dos outros: "João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Sua meta não era ser o pregador dos pregadores, pois era um "enviado de Deus" (v. 6). Não objetivava ser maior do que ninguém. Pelo contrário, queria ser menor que Jesus Cristo, já que seu lema era: "Convém que ele cresça e que eu diminua" (3.30, ARA).

Ciro Sanches Zibordi

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Guerra entre pregadores: até quando?


Dois episódios recentes envolvendo pregadores famosos me fizeram refletir profundamente sobre o que Paulo, próximo da morte, escreveu a Timóteo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino, que pregues a palavra” (2 Tm 4.1,2). O que é pregar a Palavra? Evidentemente, a resposta a essa pergunta passa pela menção da conduta ética (gr. ethos, “modo de ser”, “caráter”, “procedimento”), que está se tornando rara nos púlpitos dos grandes eventos evangélicos.

Há pouco tempo, um pregador não pentecostal e calvinista — não tido, até então, como antipentecostal —, em um grande congresso interdenominacional, criticava, e bem, as heresias e modismos pseudopentecostais da atualidade, quando resolveu fazer um gracejo sem graça com o dom de línguas. Foi uma provocação desnecessária e infeliz. Primeiro, porque ele também ministra a Palavra na Assembleia de Deus, igreja que sempre o respeitou. Segundo, porque não fez distinção alguma entre os pentecostais sérios (que têm a Bíblia como sua regra de fé, prática e viver), muitos deles participantes do evento, e os adeptos de movimentos pseudopentecostais, místicos, que não têm a Bíblia como a sua fonte primacial de autoridade.

Todo pentecostal que se preza — embora reconheça que há muitas falsificações dos dons do Espírito Santo — se sente ofendido quando vê um pregador zombando das línguas sobrenaturais mencionadas no Novo Testamento, já que tem a convicção de que elas são ministradas pelo Paracleto (At 2; 1 Co 12-14). Ninguém é obrigado a abraçar o pentecostalimo. E eu, como pentecostal, respeito os cessacionistas. Mas não convém zombar da fé pentecostal e dos pentecostais.

Como se esperava, a conduta antipentecostal do tal pregador acabou gerando uma reação por parte dos pentecostais mais exaltados, que passaram a criticá-lo ferrenhamente nas redes sociais, reacendendo os debates inglórios entre calvinistas e arminianos, entre cessacionistas e pentecostais. Para piorar a situação, encontrou-se um vídeo em que o pregador não pentecostal verbera contra um famoso conferencista pentecostal, que resolveu responder às críticas. A partir daí o que se viu, na grande rede, foi um verdadeiro tiroteio, uma disputa recheada de zombaria, generalizações etc.

Recentemente, outro episódio de guerra entre pregadores fomentou discórdia nas redes sociais. Um pregador e uma pregadora, em um mesmo congresso considerado pentecostal, resolveram se alfinetar ao som de “glórias a Deus” e “aleluias” — mais uma faceta da disputa igualmente inglória entre pregadores performáticos, que se julgam intocáveis e se portam como celebridades. A pregadora, usando de ironia e tom desafiador, verberou contra a conduta de alguns pastores e pregadores itinerantes, animadores de auditório, grupo do qual ela faz parte, para ser justo em minha abordagem.

No quesito performance, ela agradou o povo, que vibrava com as suas alfinetadas e “coreografia”. Mas o conteúdo da sua mensagem gerou um grande mal-estar entre os preletores convidados. E, diante das provocações, um famoso pregador, quando teve oportunidade, reagiu, falando em nome daqueles que se sentiram “atingidos”. Ele, então, atacou a pregadora, também de modo indireto, fazendo uma comparação entre a águia e a formiga.

A partir daí, começou nas redes sociais uma vergonhosa disputa entre os gêneros masculino e feminino. E as fãs da pregadora passaram a usar frases feministas, como “Mexeu com uma, mexeu com todas”, e também “Sou formiga e não temo águia”, além de chamarem o pregador de racista. Isso porque ele, ironicamente, comparara o “pregador águia” com a “pregadora formiga”, dando destaque para a “tanajura”, o que gerou também a hashtag #SomosTodosFormigas! Bom seria que todos levassem a sério as metáforas da Bíblia, fossem ter com a formiga (Pv 6.6) e se renovassem como a águia (Is 40.28-31), não é mesmo?

Observa-se que o maquiavelismo e a chamada ética consequencialista estão prevalecendo. E não é de hoje que pregadores — e pregadoras — itinerantes usam o púlpito para verberar contra desafetos e ameaçá-los. Portando-se com arrogância e ar de superioridade, alfinetam e desafiam inclusive os pastores sentados à sua retaguarda, pedindo que o povo glorifique, corra, pule, rode etc. Entretanto, ao discorrer sobre a pregação, o apóstolo Paulo asseverou que a conduta ética é que dá força à exposição da Palavra: “o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra [gr. logos], mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção [gr. pathos], assim como sabeis ter sido o nosso procedimento [gr. ethos] entre vós e por amor de vós” (1 Ts 1.5, ARA).

Na passagem citada, o termo ethos — de onde se originou a palavra “ética” e que diz respeito ao caráter percebido do orador — está associado a logos (o conteúdo verbal da mensagem, incluindo-se arte e lógica na sua exposição) e a pathos (o fervor, a paixão, o sentimento e a eloquência do pregador). Em outras palavras, a pregação bem-sucedida está centrada na ética cristã, a qual, segundo as cartas paulinas, abrange a conduta do crente (Ef 4.17-24), o cultivo dos bons costumes (Rm 12; 1 Co 15.33) e o relacionamento com o próximo (Rm 15.2-5).

O que é, pois, pregar a Palavra? Se a pregação antipentecostal é zombeteira, agressiva e teológicocéntrica, a pregação pseudopentecostal é performática, igualmente agressiva e antropocêntrica. Ainda que ambos os modelos enlouqueçam fãs, o modelo de pregação está na Bíblia, especialmente em 1 Coríntios 2.1-5: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”.

Pregadores e pregadoras, preguemos — de fato — a Palavra de Deus! Julguemos o que está errado (não me oponho a isto), pois não é pecado julgar, mas façamos isso segundo a reta justiça (Jo 7.24), e não de maneira caluniosa ou difamatória (Mt 7.1,2). E sejamos humildes, lembrando sempre do alerta de Provérbios 16.18: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”.

Ciro Sanches Zibordi

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Arrebatamento — secreto — da Igreja

A doutrina do Arrebatamento da Igreja foi inventada pela Assembleia de Deus ou pelos dispensacionalistas?

O que é o Arrebatamento da Igreja?

Há como provar que a doutrina do Arrebatamento é uma doutrina bíblica?

O Rapto da Igreja será secreto ou todo olho verá os salvos sendo arrebatados?